"Se construístes castelos no ar, não te envergonhes deles; estão onde devem estar. Agora constrói os alicerces" (A. C. Jesus).
VOCÊ ESTÁ COMPROMETIDO?
Olha, não estou querendo saber se você já encontrou seu par na vida, embora quem esteja num relacionamento amoroso não deixa de estar comprometido. Acho muito curioso o fato de que todos nós desejamos a felicidade, temos sonhos, ideais, mas apesar disso continuamos infelizes. No fundo, ninguém quer ser infeliz. A felicidade é a meta, é a busca contínua, e muitas vezes sabemos bem o que poderá nos trazer felicidade. Então por que tanta infelicidade?
Em nossa vida, verificamos que temos muitas intenções, muitos sonhos, muitos projetos. Mas não temos compromisso com as nossas intenções. Dê uma olhadinha em sua vida e verifique quantos projetos você tem colocado em prática.
Será que você está comprometido com os seus sonhos?
E nós somos peritos em sonhos, idéias, mas , péssimos alunos em execução. O Dr. Roberto Shinyashiki, médico e escritor, costuma dizer que algumas pessoas têm muita iniciativa e pouca "acabativa". Aquele regime de que tanto necessitamos, por vezes até por necessidade médica e não puramente estética, sempre fica para depois, para segunda-feira... Só não se sabe de que mês e de que ano. Já contou quantas segundas-feiras já se passaram e você ainda não iniciou sua dieta?
E aquele trabalho voluntário numa instituição de caridade? Sempre fica para o ano que vem. "Um dia, depois, quem sabe..."
E aquela visita ao médico? "Fica para depois das férias, das provas, da copa do mundo, do carnaval".
E o abandono do cigarro? "Fica para depois deste maço".
E aquele curso de reciclagem profissional, tão importante nestes tempos de globalização? "Depois eu faço, estou até com o número do telefone na agenda para fazer a minha inscrição, mas o dia é tão corrido que quando vejo já é tarde.". E já se passaram mais de seis meses e a inscrição nem sequer foi feita.
E aquele curso que comecei e não terminei? Fui ao médico e não fiz os exames solicitados. Fui ao Centro e interrompi o tratamento de passes. E aquele livro que comecei e não passei do primeiro capítulo? Aquele filme de cinema que tanto queria assistir e já saiu de cartaz? Enfim, aquilo com que tanto sonhei mas não me empenhei para realizar?
Quando terminei a faculdade de direito, comecei a exercer a advocacia, mas aos poucos fui descobrindo minha inclinação para a carreira publica, mais precisamente para a magistratura. Como o concurso de ingresso na carreira de juiz era muito rigoroso, precisava dedicar-me mais aos estudos. Resolvi deixar a advocacia para só me dedicar ao concurso, graças, é claro, ao apoio financeiro de meu pai. E assim fiquei estudando por vários meses, mais de dez horas por dia. Fui aprovado na primeira fase do concurso, pelo que fiquei bastante animado. Mas não fui adiante. A reprovação na segunda prova foi um golpe fortíssimo. Fui a nocaute; fiquei estendido na lona por vários meses. Não me conformava. Achava que tinha feito uma boa prova. E aí culpei o mundo, a faculdade, a política, o governo, a empregada... Estava revoltado, quase um ano de minha vida perdido em cima dos livros, pensava.
Teria que voltar para a advocacia, mordido por dentro, revoltado. Tive que procurar emprego, entrevistas e mais entrevistas. Até que acabei sendo contratado. Fui me conformando com a situação. Concurso? "Nunca mais", pensava. E assim se passaram dois anos. Estava relativamente bem na advocacia, já trabalhando em outro grande escritório, mas por dentro vivia insatisfeito porque no fundo eu queria mesmo era ser juiz. A advocacia é uma belíssima profissão, um sacerdócio, mas a minha inclinação era para a magistratura.
Minha mulher, na época minha namorada, notando minha tristeza interior e conhecendo-me por dentro, tocava no assunto do concurso, dizendo-me para tentar mais uma vez, ir atrás daquilo que queria. A princípio, a idéia foi prontamente rejeitada. Mas ela, com a sensibilidade de mulher, foi pouco a pouco me convencendo da necessidade de tentar. Ela me fez uma pergunta que nunca mais vai sair da minha cabeça:
"O que será de você futuramente quando aparecer o remorso de não ter lutado por seus sonhos?"
Então eu fiz a projeção de um homem amargurado e derrotado. Foi o bastante para retomar o meu sonho. E me convenci de que deveria tentar quantas vezes fosse necessário. Poderia ser que não fosse aprovado, que não me tornasse juiz, mas queria deixar essa vida como um homem que lutou por seus sonhos. Queria morrer com a certeza de que tinha feito tudo o que estava ao meu alcance para conquistar os meus ideais, e não com a vergonha de ter sido fraco ao não persistir na luta.
Um ano depois acabei sendo aprovado no concurso e hoje sou juiz porque venci todas as barreiras, que no fundo eram as minhas próprias limitações. Eu não havia sido aprovado anteriormente porque não estava suficientemente preparado, quer sob o ponto de vista técnico, quer sob o ponto de vista emocional. Era preciso maior empenho. Fui aprovado quando larguei a revolta, o orgulho ferido e decidi ser feliz. Estudei mais, preparei-me melhor, adquiri mais experiência na advocacia e a aprovação no concurso acabou sendo uma decorrência natural da minha determinação.
Sonhar é bom. Melhor é tornar o sonho realidade. Mas para isso é preciso comprometimento, determinação e dedicação. É preciso sair da nossa zona de comodidade e transformar nossas aspirações em situações concretas. Nada cairá do céu. Deus atua pelos nossos gestos concretos, não por nossos sonhos. Quem está desempregado deve movimentar-se para encontrar um emprego. Não basta ficar sonhando com um bom trabalho, é preciso materializar as condições para que o sonho se concretize.
Todos os grandes homens do mundo, só realizaram seus sonhos porque estavam comprometidos com ele. Tinham intenção, mas tinham sobretudo muita ação. Todos se lembram de Edson Arantes do Nascimento, o nosso Pelé, como o maior jogador do século, mas poucos se recordam de que ele continuava a sua preparação física e técnica depois que o treinador dava por encerrado o coletivo. Vejamos também os exemplos de Madre Tereza de Calcutá, Francisco de Assis, Ganghi, Martin Luther King, Albert Schweitzer, Thomas Edison, etc.
O título deste livro encerra um grande desafio: sem medo de ser feliz. É, até para ser feliz é preciso coragem, determinação. Muitas vezes nós queremos a felicidade, mas não estamos dispostos a pagar o preço. Nada nos é dado sem merecimento. Muitos sonham com a felicidade, mas querem continuar do mesmo jeito que os torna infelizes. Eu só fui aprovado no concurso quando abandonei a imagem do revoltado, do homem orgulhoso que não admitia suas próprias limitações. Com aquele comportamento, eu estava dizendo para o mundo que era um injustiçado, que o meu valor não havia sido reconhecido. Era uma atitude cômoda, porque era mais fácil reclamar do que me esforçar para suprir as minhas deficiências. Se eu não havia feito o bastante para ser aprovado, que fizesse mais, que estivesse mais bem preparado para os próximos concursos. Contudo, era mais fácil reclamar, colocar a culpa nos outros. Por isso temos que estar comprometidos com a nossa felicidade. O medo de ser feliz significa o medo que temos de abandonar os comportamentos antigos que nos trazem infelicidade. Se a gente ficar no "pobre de mim" a nossa vida será mesmo uma pobreza de felicidade.
E você, anda realizando os seus sonhos? Está comprometido com eles? Que bom se você disser que sim! Mas, se não estiver, comece agora. Comprometa-se com seus ideais. Decida-se por você. Seja um realizador. Um homem de ação. A vida é como se fosse uma grande peça de teatro e você um dos seus protagonistas. Ocorre que muitos acham que a peça ainda não estreou e que ainda estamos ensaiando. Enganam-se. Estamos em pleno palco da vida, com todos os atores em cena, com o público à nossa espera, aguardando o desempenho do nosso papel de ator principal.
Será que você tem coragem de ser feliz?
Eu acredito que sim.
José Carlos De Lucca - Livro "Sem Medo de Ser Feliz"