"Não deixe portas entreabertas
Escancare-as
Ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas
Passam apenas semiventos,
Meias verdades
E muita insensatez."
(Flora Figueiredo)
FECHANDO PORTAS
É preciso saber sempre quando se acaba uma etapa da vida.
Se insistimos em permanecer nela, depois do tempo necessário, perderemos a alegria e o sentido do resto.
Fechando círculos, fechando portas ou fechando capítulos, como queira chamar,
o importante é poder fechá-los,
deixar ir momentos da vida que se vão enclausurando.
Terminou seu trabalho?
Acabou a relação?
Já não mora mais nessa casa?
Deve viajar?
A amizade acabou?
Você pode passar muito tempo do seu presente dando voltas ao passado, tentando modificá-lo...
O desgaste será infinito, porque na vida, você, seus amigos, filhos, irmãos,
todos estamos destinados a fechar capítulos, virar páginas, terminar etapas ou momentos da vida, e seguir adiante.
Não podemos estar no presente sentindo falta do passado.
O que aconteceu, aconteceu.
Não podemos ser filhos eternamente, nem adolescentes eternos, nem empregados de empresas inexistentes, nem ter vínculos
com quem não quer estar vinculado a nós.
Os acontecimentos e as pessoas passam por nossas vidas e temos que deixá-los ir!
Por isso, às vezes é tão importante esquecer de lembrar,
trocar de casa, rasgar papéis, jogar fora presentes desbotados, dar ou vender livros...
Na vida ninguém joga com cartas marcadas, e a gente tem que aprender a perder e a ganhar.
O passado passou: não espere que o devolvam.
Também não espere reconhecimento ou que saibam quem você é.
A vida segue para frente, nunca para trás.
Se você anda pela vida deixando portas "abertas", nunca poderá desprender-se, nem viver o hoje com satisfação.
Casamentos, namoros ou amizades que não se fecham,
possibilidades de "regresso" (a quê?),
necessidade de esclarecimentos,
palavras que não foram ditas,
silêncios...
Fazer a faxina emocional é arrumar espaço nas gavetas do futuro para o novo.
Não por orgulho ou soberba,
mas porque você já não se encaixa alí,
naquele lugar,
naquele coração,
naquela casa,
naquele escritório,
naquele cargo...
Você já não é o mesmo que foi há dois dias,
há três meses,
há um ano...
portanto, nada tem que voltar.
Feche a porta, vire a página, feche o círculo!
Você nunca será o mesmo, e nem o mundo à sua volta, porque a vida não é estática.
Faz bem à saúde mental cultivar o amor por você mesmo, desprender-se do que já não está em sua vida.
Lembre-se de que nada, nem ninguém, é indispensável...
É um trabalho pessoal aprender a viver com o que dói, deixar-se ir e aprender a desprender-se.
E isso o ajudará definitivamente a seguir para a frente com tranqüilidade.
Essa é a vida que todos precisamos aprender a viver...
Ro Luggeri