"Eu não juro nada por coisa alguma, pois que todo caminho é de incerteza.
A ordem se desarruma,
a história se desajeita,
o arranjo troca e vira a mesa.
Tampouco prometo.
Nesse jogo de regras e tratos,
rolam os dados,
mudam os fatos,
num ciclone célere, inclemente.
Só o que posso fazer é me entregar completamente
a toda causa que eu me dedicar,
a cada tempo que eu puder viver,
a cada amor que me fizer amar"
(Flora Figueiredo)
AO TEMPO O TEMPO
Se o teu lugar agora parece-te frio e sem atrativos,
se não há ninguém agora que te inspire a falar ou a ouvir,
se o vento lá fora parece não soprar a teu favor,
se nenhuma palavra consegue agora tocar o teu coração,
se não sentes vontade de nada,
se queres simplesmente fazer nada,
se as coisas da Terra parecem-te opacas e sem graça,
se as coisas do Céu agora parecem-te mentiras,
histórias inventadas,
se teu corpo não quer exercícios,
não quer esforços,
só quer espreguiçar-se,
se agora nada desperta a tua vontade de crescer,
de ir adiante, de abraçar aventuras,
desafios, novas metas, sonhos ...
se para tuas perguntas não chegam respostas,
se olhas o relógio como a um inimigo cobrador,
DÁ UM TEMPO ...
O mar não espera pelo rio, no entanto o rio chega.
As árvores não anseiam por novas folhas, no entanto elas brotam.
As flores não imploram por chuvas, mas as chuvas - cedo ou tarde - caem.
Os pássaros não se preocupam com o céu, entretanto o céu lá está.
O dia não guarda ansiedade pelo descanso da noite e ainda assim ela chega.
A noite não se abala com a própria escuridão, repousando na certeza de que o dia virá.
A semente precisa do escuro da terra para abrir-se à luz na hora mais acertada.
Deus não apressa as sementes: Ele as conhece e respeita-lhes o tempo.
Se neste momento és semente,
sossega, respeita-te ...
e dá um tempo.
Silvia Schmidt