"As pessoas não sabem amar.
Mordem em vez de beijar.
E batem em vez de acariciar.
Talvez porque percebam como é fácil o amor deteriorar.
De repente, torna-se impossível, impraticável.
Portanto, as pessoas o evitam e procuram consolo na raiva, medo e agressão, que estão sempre à mão e disponíveis.
E talvez, às vezes, não tenham conhecimento de todos os fatos.
Raiva e ressentimento podem bloquear o caminho da gente.
Para incendiar a raiva basta o ar e a vida que ela traga e abafa.
Mas, por outro lado, é real... a fúria!
Mesmo quando não é, ela pode mudar, transformar e moldar você...
Fazer de você algo que você não é.
Assim, a outra face da raiva, é a pessoa que você se torna: se Deus quiser, alguém que acorda um dia e percebe que não tem medo de sua jornada... alguém que sabe que a verdade, na melhor das hipóteses, é uma história parcialmente contada... de que a raiva, como o crescimento, vem em jatos e, em seu caminho, deixa uma nova possibilidade de aceitação.
E... a promessa de calma!"
(passagem transcrita do filme "A outra face da raiva", com Kevin Costner e Joan Allen - título original: "The upside of anger")
QUANDO NÃO HÁ PEDRAS SUFICIENTES
Uma das cenas mais comoventes do filme "Contador de Histórias" (Forrest Gump), foi quando Jenny, a namorada de Forest, voltou depois de longos anos envolvida no submundo de drogas e os dois passaram pela casa onde ela foi criada... se é que se pode dizer que ela foi criada. Porque ela sofreu todo tipo de violência nas mãos do pai. Quando ela vê o barraco, agora já adulta, fica totalmente abalada e todas as lembranças da infância horrorosa voltam à mente.
Ela abaixa e pega uma pedra e a joga, com todas as forças, na direção da casa. Ela acerta uma janela que se desfaz em mil pedaços. Depois ela pega outra, e depois outra... Ela joga todas as pedras perto dela e depois cai no chão chorando.
Forrest disse a ela: "Às vezes não há pedra suficiente".
Creio eu que ele quis dizer que às vezes o sofrimento é tanto, que nada há que podemos fazer para aliviá-lo, que nem a vingança, nem toda nossa raiva resolvem a dor.
Concordo.
Quando sofremos, estamos magoados, nós queremos jogar todas as pedras do mundo contra "aquele barraco" onde sofremos.
Pode ser uma pessoa, uma coisa, uma memória, mas como no caso de Jenny, nunca há pedra suficiente para derrubar o barraco do sofrimento. De fato, o único resultado do esforço de jogar pedras, é que caímos no chão chorando.
Tem que haver uma outra solução... Mas o que fazer quando nós estamos nesta situação? Desesperados, destruídos por dentro diante da injustiça praticada conosco e a única vontade que nós temos é de encher as nossas mãos de pedras e jogar nos algozes da nossa esperança?
I. Para que pegar pedras se eu tenho um Deus vivo que me vê?
II. Para que atirar pedras se Deus transforma minhas perdas em ganho?
Ele é o Deus que transforma as nossas perdas em ganho.As derrotas em triunfo. As humilhações em honra.
III. Para que atirar pedras se Deus está presente em todos os momentos de nossa vida?
Deus está dizendo: "Estou aqui - estou presente". Pode ser que você também se sinta assim, mas pode ter certeza que Deus virá a você e perguntará: "O que há de errado? Eu estou aqui." E com esta promessa, quem precisa de qualquer pedra na mão?
IV. Para que atirar pedras se Deus tem nos dado uma missão em nossas mãos?
As pedras não são solução, são uma fuga. Não podemos abandonar tudo, e esquecer-nos do mundo a nossa volta quando estamos sofrendo. Deus não nos dá licença para curtirmos nossa dor e esquecer-nos das nossas responsabilidades .
V. Para que atirar pedras se Deus já tem suprido a vitória?
Muitas vezes tudo que precisamos está bem perto de nós, mas não conseguimos ver a bênção, o milagre a solução dos problemas, porque as lagrimas do desespero, o choro do ressentimento não nos deixa ver aquilo Deus fez por nós.
Não há pedra suficiente, neste mundo, para aliviar sua dor.
Mas Ele nos disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei" (Mt 11.28).
Agora, com suas pedras no chão, use-as para construir um altar.
Encontre o Deus verdadeiro, receba seu conforto e diga, "Eu vejo o Deus que me vê!"
Peggy Smith Fonseca